Belém, PA

Uýra, <i>Florescer</i>, 2021. Cortesia da artista [courtesy of the artist]
Uýra, Florescer, 2021. Cortesia da artista [courtesy of the artist]
Melvin Moti, <i>Interwoven</i> [Entrelaçado], 2020. Cortesia do artista [courtesy of the artist]
Melvin Moti, Interwoven [Entrelaçado], 2020. Cortesia do artista [courtesy of the artist]
Jungjin Lee, da série [from the series] <i>Buddha</i> [Buda], 2002. Cortesia da artista [courtesy of the artist]
Jungjin Lee, da série [from the series] Buddha [Buda], 2002. Cortesia da artista [courtesy of the artist]

Pela primeira vez, o programa de mostras itinerantes da 34ª Bienal de São Paulo – Faz escuro mas eu canto chega à região Norte do país. A exposição acontece em Belém (PA), no Solar da Beira e no Mercado Municipal, situados no Complexo Ver-o-Peso, entre os dias 29 de setembro e 20 de novembro de 2022. Ela foi viabilizada com o apoio cultural da CODEM – Companhia de Desenvolvimento da Área Metropolitana, Prefeitura de Belém, bem como com a SECON – Secretaria Municipal de Economia e a FUMBEL – Fundação Cultural do Município de Belém.

A exposição é organizada a partir de dois enunciados, A imagem gravada de Coatlicue e Hiroshima mon amour de Alain Resnais, ao redor dos quais agrupam-se obras que dialogam com questões como alteridade e opacidade – este último um conceito do autor Édouard Glissant, uma das referências teóricas da 34ª Bienal.

A mostra é composta por trabalhos de nove artistas de oito países diferentes: Alice Shintani (Brasil), Claude Cahun (França), Gala Porras-Kim (Colômbia), Haris Epaminonda (Chipre), Jungjin Lee (Coreia do Sul), Marinella Senatore (Itália), Melvin Moti (Holanda), Naomi Rincón Gallardo (Estados Unidos) e Uýra (Brasil).

No Mercado Ver-o-Peso, o público pode ver a escultura de luz Nos erguemos ao levantar outras pessoas (2021), obra especialmente produzida para a 34ª Bienal de São Paulo. A instalação de dez metros de diâmetro fica suspensa sobre os transeuntes, próxima ao telhado do Mercado, criando uma arquitetura efêmera e impactante. Composta por dezenas de lâmpadas, a obra nos lembra da força das ações realizadas coletivamente.

Sobre o enunciado A imagem gravada de Coatlicue
Em 13 de agosto de 1790, um grupo de trabalhadores que fazia escavações na Praça Central da Cidade do México descobriu uma estátua, retratada e identificada pelo astrônomo e antropólogo Antonio de León y Gama como Teoyaomiqui. Na verdade, era a deusa Coatlicue, também conhecida como Dama de la Falda de Serpientes [Senhora da saia de serpentes]. Na mitologia asteca, Coatlicue, padroeira da vida e da morte, era a mãe de Huitzilopochtli, deus da terra, e representava a fertilidade. A estátua de Coatlicue foi levada para a Universidade Real e Pontifícia do México como uma relíquia do passado mesoamericano mas, depois de algumas deliberações, as autoridades espanholas decidiram enterrá-la novamente, suspeitando que a senhora da saia de serpentes pudesse desencadear uma revolução. Em 1804, um curioso Alexander von Humboldt pediu para vê-la durante sua visita à Nova Espanha. As crônicas narram que o explorador alemão começou a desenhá-la sem, no entanto, completar a ilustração: os religiosos da universidade tornaram a escondê-la sob a terra, talvez temendo que seu poder se tornasse incontrolável, e Humboldt teve que soltar as rédeas de sua imaginação para imortalizar a aura poderosa de Coatlicue em seus esboços.

Sobre o enunciado Hiroshima mon amour de Alain Resnais
Diante do trauma inenarrável, o que podem contar um museu, um monumento, uma ruína ou uma cicatriz? “As reconstruções, por falta de outra coisa”, “As explicações, por falta de outra coisa”, “As fotografias, por falta de outra coisa”, diz Ela, a protagonista (francesa) de Hiroshima mon amour, o clássico dirigido por Alain Resnais em 1959, na sequência inicial do filme. Ela se refere ao que encontrou em Hiroshima quase quinze anos após o bombardeamento que vitimou mais de 160 mil pessoas, mas poderia estar falando também daquilo que é encontrado por quem visita os campos de concentração nazistas, ou mesmo os museus repletos de despojos da colonização. Mas os objetos, as fotografias, as explicações, as reconstruções não são suficientes para entender. Hiroshima mon amour não busca explicar, nem reconstruir, mas apalpar a opacidade e a intraduzibilidade do testemunho.

Serviço

34ª Bienal de São Paulo - Faz escuro mas eu canto
Programa de mostras itinerantes

Solar da Beira
Belém (PA)
29 de setembro – 20 de novembro 2022
Boulevard Castilhos França, 120
terça – sexta, 8h – 17h
sábado e domingo, 8h – 14h
entrada gratuita

Mercado Ver-o-Peso
Belém (PA)
29 de setembro – 20 de novembro 2022
Boulevard Castilhos França
segunda – quinta, 6h – 13h
sexta – sábado, 6h – 13h30
domingo, 6h – 12h
entrada gratuita





  1. Caroline A. Jones, Eyesight Alone: Clement Greenberg’s Modernism and the Bureaucratization of the Senses (Chicago: University of Chicago Press, 2005).
  2. Greenberg’s Modernism and the Bureaucratization of the Senses (Chicago: University of Chicago Press, 2005).
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