Alice Shintani

Vista da série [view of the series] <i>Menas</i> (2015-2021), de [by] Alice Shintani, na [at the] 34ª Bienal de São Paulo. © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo
Vista da série [view of the series] Menas (2015-2021), de [by] Alice Shintani, na [at the] 34ª Bienal de São Paulo. © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo
Vista da série [view of the series] <i>Mata</i> (2019-2021), de [by] Alice Shintani, na [at the] exposição [exhibition] Vento, parte da [part of the] 34ª Bienal de São Paulo. Comissionada pela Fundação Bienal de São Paulo para a 34ª Bienal [commissioned by Fundação Bienal de São Paulo for the 34th Bienal].  © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo
Vista da série [view of the series] Mata (2019-2021), de [by] Alice Shintani, na [at the] exposição [exhibition] Vento, parte da [part of the] 34ª Bienal de São Paulo. Comissionada pela Fundação Bienal de São Paulo para a 34ª Bienal [commissioned by Fundação Bienal de São Paulo for the 34th Bienal]. © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo
Vista da série [view of the series] <i>Menas</i> (2015-2021), de [by] Alice Shintani, na [at the] 34ª Bienal de São Paulo. © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo
Vista da série [view of the series] Menas (2015-2021), de [by] Alice Shintani, na [at the] 34ª Bienal de São Paulo. © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo
Vista da série [view of the series] <i>Menas</i> (2015-2021), de [by] Alice Shintani, na [at the] 34ª Bienal de São Paulo. © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo
Vista da série [view of the series] Menas (2015-2021), de [by] Alice Shintani, na [at the] 34ª Bienal de São Paulo. © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo
Vista da série [view of the series] <i>Menas</i> (2015-2021), de [by] Alice Shintani, na [at the] 34ª Bienal de São Paulo. © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo
Vista da série [view of the series] Menas (2015-2021), de [by] Alice Shintani, na [at the] 34ª Bienal de São Paulo. © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo

Dentre as possíveis intersecções entre o fazer artístico e a vida cotidiana, Alice Shintani (1971, São Paulo, SP) procura uma das mais sutis. Não se trata da arte que comenta as notícias dos jornais, nem da arte que se impõe no tecido urbano como monumento inerte, e sim a vivência próxima dos afetos e violências diários que têm como contraponto o fazer gradual que envolve cores, formas e luminosidades. Tendo estudado e trabalhado na área da engenharia de computação, Shintani transladou sua prática ao campo artístico em meados da década de 2000. Evitou, entretanto, fazer coincidir sua produção com os lugares e os suportes do circuito artístico estabelecido. Ainda que muito de sua obra possa ser chamada de pintura, ela se alimenta de vivências diretas do espaço urbano e dos acontecimentos sociais, ao mesmo tempo em que experimenta modos de circular em contextos variados, junto a públicos pouco familiarizados com a liturgia dos espaços expositivos.

Em tuiuiú (2017), Shintani transformou o convite para ocupar uma vitrine no interior da Biblioteca Mário de Andrade em uma ação que se espalhou pela praça onde fica a biblioteca, e além dela. Bandeirinhas foram pintadas em tecidos finos com formas que remetem à modulação de azulejos propostos por Athos Bulcão para os edifícios de Brasília e com uma extensa gama de cores. Costuradas em fitas de cetim, essas pinturas seguiam o modelo das bandeirinhas de oração tibetanas, mas quando colocadas ao redor de troncos de árvores ou suspensas entre galhos e postes, evocavam também as decorações das festas populares brasileiras. O vento fazia farfalhar as suas formas, enquanto a artista dispunha no chão exemplares das bandeirinhas, os quais distribuía aos passantes.

Menas (2013-2017) é uma instalação cambiante, quer dizer, que muda de arranjo e composição a cada espaço e contexto que ocupa. Seus elementos foram concebidos em um período em que a artista estava afastada dos contextos oficiais de exposição e circulação de arte contemporânea. Shintani estava então trabalhando diretamente nas ruas, vendendo brigadeiros e acompanhando as transformações graduais da convivialidade em um país que vivia um estágio, ainda em curso, de profundo desmonte político e social de suas estruturas. Em casa, pintava, costurava e dobrava papéis de modo meticuloso, criando um repertório de convites à deambulação do olhar. Trata-se de um repertório de materialidade leve, que pode ser compactado e transportado com pouco esforço, mas que se abre de modo análogo à montagem da barraca de um feirante ou do tabuleiro de um ambulante. As estruturas que emprestam volume e ritmo para suas formas são caixas de papelão apropriadas de mercados da cidade.

Mata (2020) é um trabalho desenvolvido gradualmente, sem um projeto prévio estabelecido além da disposição de fazer guaches sobre papel com composições livremente baseadas em elementos da flora e da fauna amazônicas. As linhas que atravessam de fora a fora o papel criam campos de cor esquemáticos e ampliados, sugerindo enquadramentos próximos, que recortam as figuras e renunciam ao compromisso técnico-descritivo comum às ilustrações botânicas, por exemplo. O fundo pintado de negro está presente em todas as imagens, sendo um elemento que reforça a luminosidade das cores empregadas pela artista e, também, uma metáfora do estágio de incerteza e opacidade que caracteriza os dias atuais.



  1. Caroline A. Jones, Eyesight Alone: Clement Greenberg’s Modernism and the Bureaucratization of the Senses (Chicago: University of Chicago Press, 2005).
  2. Greenberg’s Modernism and the Bureaucratization of the Senses (Chicago: University of Chicago Press, 2005).
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