Melvin Moti

Melvin Moti, <i>No SHow</i>, 2004 . Still do vídeo. Cortesia da artista
Melvin Moti, No SHow, 2004 . Still do vídeo. Cortesia da artista

Melvin Moti (1977, Roterdã, Holanda) trabalha principalmente com filmes 35mm, em geral mostrados em conjunto com fotografias, objetos e livros de artista. Sua prática está intimamente ligada à história e a sua narrativa. O que motiva seus filmes, livros e objetos de arte é o interesse pela imaginação dos espectadores e a desconstrução da história. Desse modo, Moti explora o não evento, e um fascínio pelo anedótico assinala seus trabalhos: detalhes e acidentes que ocorrem à margem de uma história que se quer unitária permitem ao artista revelar o poder do que ele define como “buracos negros”. Em seu filme No Show [Nenhuma exposição], por exemplo, Moti parte de um episódio historicamente irrelevante: uma visita ao Hermitage oferecida por um guia do museu a um grupo de soldados em 1943, em plena Segunda Guerra Mundial. O que torna a anedota fascinante é o fato de que, por precaução, todas as obras haviam sido retiradas das salas e guardadas em lugar seguro; apenas as molduras da extraordinária coleção de pinturas permaneciam nas paredes, como testemunho da importância de se manter pelo menos a memória das obras de arte. 

Entre sombras e luzes, entre o visível e o imaginário, a prática de Moti recorre à pesquisa científica assim como ao testemunho subjetivo. Seus trabalhos buscam entender como os mecanismos da percepção funcionam neurológica e psicologicamente. Ele joga com as percepções do público – seus filmes, imagens e sons procuram fazer emergir um terceiro espaço, que nasce na mente do visitante. Cabe aos visitantes criar suas próprias narrativas, enquanto o artista os convida a reaprender a ver. Para Moti, não se trata de acumular informação, mas de desconstruí-la.

Cada dimensão de sua investigação recente – que abrange a esfera da percepção sensorial (especialmente como resultado da privação sensorial), a redução como abordagem artística (sobretudo em museus vazios) ou ainda a não-produção como forma de resultado criativo – é pesquisada de maneira elaborada, por meio de um acúmulo de recursos que posteriormente compõe a base dos textos do artista, os quais constituem parte essencial de sua prática. Esses ensaios experimentais são reproduzidos em livros de artista autopublicados, que acompanham cada filme.

  1. Caroline A. Jones, Eyesight Alone: Clement Greenberg’s Modernism and the Bureaucratization of the Senses (Chicago: University of Chicago Press, 2005).
  2. Greenberg’s Modernism and the Bureaucratization of the Senses (Chicago: University of Chicago Press, 2005).
Compartilhe
a- a a+