Pierre Verger Percursos e Memórias

13 Ago 21 Nov 2021 Instituto Tomie Ohtake Exposição individual
Pierre Verger, <i>Filhos de Gandhi</i>, Carnaval, Salvador, Brasil (1959). Cortesia de Fundação Pierre Verger
Pierre Verger, Filhos de Gandhi, Carnaval, Salvador, Brasil (1959). Cortesia de Fundação Pierre Verger
Pierre Verger, <i>Bumba Meu Boi</i>, Recife, Brasil (1947). Cortesia de Fundação Pierre Verger
Pierre Verger, Bumba Meu Boi, Recife, Brasil (1947). Cortesia de Fundação Pierre Verger
Pierre Verger, Niger, Gao, Mali (1936). Cortesia de Fundação Pierre Verger
Pierre Verger, Niger, Gao, Mali (1936). Cortesia de Fundação Pierre Verger

O Instituto Tomie Ohtake apresenta a exposição individual dedicada ao fotógrafo Pierre Verger
(1902, Paris – 1996, Salvador, BA, Brasil), com curadoria de Priscyla Gomes, do Instituto Tomie Ohtake, e Alex Baradel, da Fundação Pierre Verger. Com mais de uma centena de fotografias e documentos, a mostra Pierre Verger: Percursos e Memórias, abrirá ao público dia 13 de agosto no Instituto Tomie Ohtake. 

Fotógrafo por excelência, Pierre Verger aprendeu o ofício da fotografia aos 30 anos e, ao longo da carreira, a dedicação e minúcia no conhecimento de povos e culturas que lhe interessavam foi tamanha que se alçou à condição de antropólogo e etnógrafo. Iniciou sua obra em 1932, quando decidiu unir a expertise que havia adquirido na fotografia com sua vontade de viajar para conhecer e registrar outras pessoas e lugares; partiu levando como única bagagem uma máquina fotográfica Rolleiflex. 

A articulação entre imagem, escritos e uma extensa pesquisa resultou em uma obra vasta, muitas vezes desconhecida do público que aproxima-se de Verger por intermédio de suas fotografias mais icônicas. Entre 1932 e 1970, foram décadas de viagens ao redor do mundo, passando pela Europa, Ásia, América e Oceania. 

Esta exposição é uma correalização do Instituto Tomie Ohtake, Fundação Pierre Verger e Fundação Bienal de São Paulo e integra a rede da 34ª Bienal de São Paulo. A mostra é dedicada a expor as diferentes documentações da trajetória de Pierre Verger durante suas principais viagens. Além de imagens inéditas ou raramente mostradas, visando contextualizar sua produção e relacionando aspectos da vida pessoal do fotógrafo ao contexto histórico a que pertenceu, a mostra trará seus cadernos de viagens, publicações e periódicos nacionais e internacionais, cartas e textos inéditos, negativos e estudos de ampliações, bem como trechos de documentários icônicos sobre o fotógrafo e etnógrafo.

Os núcleos pelos quais se divide a exposição propõem-se a contar as diferentes viagens de Verger, utilizando esses percursos para narrar como o artista tornou-se pioneiro em muitas de suas abordagens sobre fotografia, no registro e investigação dos locais aos quais visitava e na sua forma de estabelecer diálogo com as diferentes populações. Cabe especial destaque, o ano de 1946, que marca sua chegada ao Brasil, um trajeto que resultaria numa longa permanência e na descoberta de um universo que mudaria em definitivo sua vida. Sua chegada deu início à sua pesquisa afro-americanista e africanista, que propiciou importantes desdobramentos na sua trajetória. Verger passou a registrar também por escritos as informações coletadas em suas viagens entre o Brasil e a África. É nesse universo que o fotógrafo e etnógrafo concentrou seus estudos, dedicando décadas de sua vida às culturas iorubá e fon, além de suas diásporas religiosas. 

Por se tratar de um recorte e material inéditos, a curadoria realizada por Priscyla Gomes, curadora do Instituto Tomie Ohtake e Alex Baradel, curador da Fundação Pierre Verger, visa trazer novas leituras à trajetória desse fotógrafo expoente. Com base numa imersão em seus arquivos, anotações, registros e escritos, a mostra é a primeira a apresentar Pierre Verger como fotógrafo, pesquisador, etnógrafo e também líder religioso. Parte-se de algumas imersões na vida privada do fotógrafo explicitando questões como religiosidade, cultura local, sexualidade e as linhas editoriais de revistas de extrema importância no período.

A exposição é uma coprodução com a Fundação Bienal de São Paulo, Fundação Pierre Verger e Instituto Tomie Ohtake

Curadoria: Priscyla Gomes e Alex Baradel

Saiba mais sobre o artista aqui.

  1. Caroline A. Jones, Eyesight Alone: Clement Greenberg’s Modernism and the Bureaucratization of the Senses (Chicago: University of Chicago Press, 2005).
  2. Greenberg’s Modernism and the Bureaucratization of the Senses (Chicago: University of Chicago Press, 2005).
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