Amie Siegel

Um modo de abordar a obra de Amie Siegel (1974, Chicago, Illinois, EUA) é considerar cada trabalho como um estudo de caso. Siegel em geral enfoca a maneira como as coisas funcionam, ao observar além de suas aparências e considerar camadas de circulação, influxos econômicos, padrões do olhar e processos de construção de valores. Tais aspectos comumente inapreensíveis do mundo são tornados visíveis por meio de um longo processo de pesquisa e investigação que permite a Siegel descobrir e realçar costuras e conexões entre elementos aparentemente desconexos – para, em seguida, através dos materiais e meios que a artista emprega, gravar, inscrever e/ou até mesmo espelhar seu movimento. A montagem e a refilmagem são também recursos constantes no universo de Siegel, não apenas quando cria filmes ou utiliza elementos da linguagem cinematográfica, mas também quando sublinha relações entre diferentes trabalhos que, juntos, formam constelações ou genealogias (para citar o título de um trabalho seu de 2016), ao mesmo tempo sutis e extremamente precisas, acrescentando enredamentos e complexidades às suas narrativas mais abrangentes da sociedade contemporânea. 

Em Asterisms [Asterismos] (2021), uma instalação em vídeo co-comissionada para a 34a Bienal, Siegel explora processos de deslocamentos geológicos e sociais em escala planetária, nesse caso abordando o contexto específico dos Emirados Árabes Unidos. Nessa instalação, Siegel nos conduz pelos campos de trabalho de imigrantes que fornecem mão de obra para fábricas de ouro e de refinarias de petróleo; pela paisagem surreal de um palácio real onde cavalos árabes são criados e treinados para serem expostos; pelo processo de construção de ilhas artificiais em Dubai; por um vilarejo abandonado e quase completamente submerso pela areia do deserto... Cada um desses segmentos se apresenta em formato cinematográfico distinto e é projetado em uma forma que oscila entre ser uma parede e uma escultura. Derivada da sobreposição dos vários formatos de projeção, a forma lembra a de uma estrela estilizada, ou um asterismo – um conjunto informal de estrelas e as linhas usadas mentalmente para conectá-las, cujo desenho podemos identificar à noite no céu, se olharmos com a devida atenção. 



  1. Caroline A. Jones, Eyesight Alone: Clement Greenberg’s Modernism and the Bureaucratization of the Senses (Chicago: University of Chicago Press, 2005).
  2. Greenberg’s Modernism and the Bureaucratization of the Senses (Chicago: University of Chicago Press, 2005).
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