Daiara Tukano

Daiara Tukano, Registro de <i>Morî' erenkato eseru'</i> – Cantos para a vida, ativação realizada por Daiara Tukano e Jaider Esbell na exposição <i>Véxoa: nós sabemos</i>, em novembro de 2020 na Pinacoteca do Estado de São Paulo. Cortesia da artista e Pinacoteca do Estado de São Paulo
Daiara Tukano, Registro de Morî' erenkato eseru' – Cantos para a vida, ativação realizada por Daiara Tukano e Jaider Esbell na exposição Véxoa: nós sabemos, em novembro de 2020 na Pinacoteca do Estado de São Paulo. Cortesia da artista e Pinacoteca do Estado de São Paulo
Daiara Tukano, <i>Ñokõá tero po'ero</i> [Enchente do colar de pedra, Constelação das plêiades], 2018. Cortesia da artista
Daiara Tukano, Ñokõá tero po'ero [Enchente do colar de pedra, Constelação das plêiades], 2018. Cortesia da artista

Daiara Hori (1982, São Paulo, Brasil), cujo nome tradicional é Duhigô, pertence ao clã Uremiri Hãusiro Parameri do povo Yepá Mahsã, mais conhecido como Tukano, da região amazônica do Alto Rio Negro. Quando nasceu, sua família residia em São Paulo para integrar a ampla movimentação política indígena antecedente à Assembleia Constituinte de 1987-1988. Artista, professora, ativista dos direitos indígenas e comunicadora, Daiara, que é pós-graduada em direitos humanos e pesquisadora do direito à memória e verdade dos povos indígenas, foi também coordenadora da Rádio Yandê, a primeira web rádio indígena do Brasil. Sua obra é indissociável da cultura ancestral do povo Tukano, que, como outras etnias indígenas amazônicas, utiliza em seus rituais a medicina nativa da ayahuasca. Influenciada por essa prática, cujas visões místicas, mirações, ou hori, permeiam toda a cultura visual Tukano, ela produz imagens que evocam aspectos da existência que usualmente não se revelam ao olhar.

Daiara recusa a fácil catalogação do que ela produz como “arte” no sentido atribuído ao termo pelas culturas ocidentais e considera as imagens, figurativas ou abstratas, que produz, “mensagens” com um valor que transcende a fruição estética. Na 34ª Bienal, Daiara apresenta Festa no Céu, um conjunto de quatro pinturas suspensas que representam os pássaros sagrados gavião-real, urubu-rei, garça-real e arara-vermelha, os miriã porã mahsã que, para os Tukano, fazem cerimônia para segurar o céu e impedir que o sol queime a terra fértil. No verso de cada pintura, um manto feito de penas entrelaçadas em padrões geométricos de raiz ancestral remete à tradição dos grandes mantos plumários que, nas palavras da artista, “deixaram de ser confeccionados com a invasão dos territórios, o genocídio dos povos indígenas e a extinção em curso das aves sagradas. Esta obra fala muito do sagrado, mas fala também do luto que tenho vivido e compartilhado com os parentes pelas perdas de tantos anciões guardiões dessas histórias”.

  1. Caroline A. Jones, Eyesight Alone: Clement Greenberg’s Modernism and the Bureaucratization of the Senses (Chicago: University of Chicago Press, 2005).
  2. Greenberg’s Modernism and the Bureaucratization of the Senses (Chicago: University of Chicago Press, 2005).
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