Paulo Kapela

Vista das obras de [view of the artworks by] Paulo Kapela na [at the] 34ª Bienal de São Paulo. © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo
Vista das obras de [view of the artworks by] Paulo Kapela na [at the] 34ª Bienal de São Paulo. © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo
Vista das obras de [view of the artworks by] Paulo Kapela na [at the] 34ª Bienal de São Paulo. © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo
Vista das obras de [view of the artworks by] Paulo Kapela na [at the] 34ª Bienal de São Paulo. © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo
Vista das obras de [view of the artworks by] Paulo Kapela na [at the] 34ª Bienal de São Paulo. © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo
Vista das obras de [view of the artworks by] Paulo Kapela na [at the] 34ª Bienal de São Paulo. © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo
Vista das obras de [view of the artworks by] Paulo Kapela na [at the] 34ª Bienal de São Paulo. © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo
Vista das obras de [view of the artworks by] Paulo Kapela na [at the] 34ª Bienal de São Paulo. © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo
Vista das obras de [view of the artworks by] Paulo Kapela na [at the] 34ª Bienal de São Paulo. © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo
Vista das obras de [view of the artworks by] Paulo Kapela na [at the] 34ª Bienal de São Paulo. © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo

Nascido na província de Uige, Paulo Kapela (1947, Uíge, Angola) fugiu para a República do Congo e estudou na Escola de Pintura Poto-Poto, em Brazzaville, antes de voltar para Angola e se estabelecer em Luanda, onde viveria e trabalharia em condições bastante precárias. Estabelecido no centro da cidade, cercado pelos materiais que alimentavam sua prática, ele construiu um continuum criativo no qual vida e arte se tornam inseparáveis. “Mestre Kapela”, como era frequentemente chamado, logo se tornaria uma referência e uma fonte inesgotável de inspiração para a nova geração de artistas angolanos, graças à força extraordinária de suas obras e à sua figura carismática e quase profética. Sua prática merece ser lida como um ato intrinsecamente político, um esforço de apropriação e reescrita da história colonial de Angola, em busca de uma “crioulização” entre elementos da dominação ocidental e a realidade cultural e social local, que supostamente representaria uma identidade angolana mais autêntica. 

As pinturas de Kapela são imbuídas de um forte sincretismo, no qual referências diretas ao catolicismo, à filosofia banto e ao rastafarianismo são justapostas e colocadas em contato direto. Analogamente, em suas instalações Kapela recorre a objetos profanos, da sociedade de consumo, e objetos sagrados, muitas vezes dispostos ao lado de retratos de personalidades da cena política ou das finanças angolanas. Um rasto de iconografia religiosa é perceptível no modo como suas instalações combinam pinturas e objetos em composições que lembram altares, nos quais figuras humanas podem aparecer cercadas de espelhos e cruzes, círculos ou estatuetas que tecem um vínculo direto com a cultura Nkisi. Kapela oferecia assim a esses temas, se não um poder mágico, ao menos uma dimensão sagrada. Outro forte componente de suas práticas é a palavra escrita: várias das pinturas são cobertas de escritos, que muitas vezes se referem a amigos e conhecidos, mas também estão repletos de testemunhos e anedotas pessoais. Esses diversos níveis de leitura, tanto visual quanto literária, colidem e criam uma nova significação simbólica, através do arranjo das dimensões pessoal, política e sagrada.

Paulo Kapela morreu em novembro de 2020, devido à COVID-19.

  1. Caroline A. Jones, Eyesight Alone: Clement Greenberg’s Modernism and the Bureaucratization of the Senses (Chicago: University of Chicago Press, 2005).
  2. Greenberg’s Modernism and the Bureaucratization of the Senses (Chicago: University of Chicago Press, 2005).
Compartilhe
a- a a+