Giorgio Griffa

Do final dos anos 1960 em diante, Giorgio Griffa (1936, Turim, Itália) começou a se afastar da figuração e se voltar para a abstração, participando assim de uma certa renovação da pintura, em diálogo constante, mas cada vez mais rarefeito, com importantes movimentos artísticos. Griffa trabalha com séries longas, nas quais aparecem alguns parâmetros comuns, o que aumenta a sensação de continuidade que se tem diante do conjunto de obras que ele vem desenvolvendo há mais de cinco décadas. Embora a presença esparsa de sinais gráficos em um fundo neutro seja ontologicamente minimalista, Griffa se distancia dos preceitos do movimento ao rejeitar uma abordagem sistemática e a repetição matemática, mantendo uma relação programaticamente mais livre e mais lírica com o ato de pintar. A modesta aspereza das telas que ele costuma usar sugere uma proximidade da arte povera, mas a escolha de materiais foi se transformando ao longo do tempo, ao passo que o gesto aceita sua própria imperfeição. 

Apesar da impressão inicial que se possa ter, não há concretamente nenhuma repetição em sua linguagem pictórica: cada pincelada é única, sujeita à irregularidade que caracteriza toda ação humana. Griffa exibe um conjunto de sinais, linhas, curvas, arabescos, números e letras que juntos não compõem uma narrativa, afastando-se da linearidade de obras baseadas em conceitos preexistentes. Com Griffa, a pintura se torna física: o movimento do corpo no espaço dita o encontro da tinta, quase líquida, com a tela previamente estendida no chão. O resultado da ação do artista é imprevisível, pois não existe um projeto inicial, e cada pincelada depende da anterior. Coerentemente com a abordagem aberta do artista, as telas geralmente são deixadas sem moldura e sem chassis, em um gesto que poderia lhes dar uma aparência inacabada, mas que deve ser lido como desejo de conceder ao espectador a liberdade de completar a ação que o artista suspendeu. Através de cores vivas que se destacam sobre a tonalidade pálida das telas cruas, Griffa conduz o olhar no caminho para um prazer que não será determinado ou definitivo: cada obra é quase um organismo vivo, em constante evolução e diálogo com o público e a arquitetura circundante.

  1. Caroline A. Jones, Eyesight Alone: Clement Greenberg’s Modernism and the Bureaucratization of the Senses (Chicago: University of Chicago Press, 2005).
  2. Greenberg’s Modernism and the Bureaucratization of the Senses (Chicago: University of Chicago Press, 2005).
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