Mette Edvardsen

Mette Edvardsen, performance <i>No Title</i>, 2014. Foto: Lilia Mestre. Cortesia da artista
Mette Edvardsen, performance No Title, 2014. Foto: Lilia Mestre. Cortesia da artista
Mette Edvardsen, performance <i>Time has fallen asleep in the afternoon sunshine</i>  (2010 - ). Foto: Elly Clarke. Cortesia da artista
Mette Edvardsen, performance Time has fallen asleep in the afternoon sunshine (2010 - ). Foto: Elly Clarke. Cortesia da artista

Mette Edvardsen (1970, Lørenskog, Noruega) iniciou o seu trabalho como bailarina em várias companhias em 1996 e, a partir de 2002, começou a desenvolver seu próprio trabalho, no qual relaciona coreografia e performance. Em muitas de suas propostas cênicas, Edvardsen usa o texto como uma estrutura em que a leitura e a escrita se tornam ferramentas para se mover no espaço e interagir com o público. A voz funciona como veículo de produção de situações, criando espaços que se tornam visíveis pela palavra ou, ao contrário, pela ausência dela. Edvardsen usa a linguagem para subvertê-la, desafiando as conexões culturais e as ramificações espaço-temporais que geralmente influenciam nossas rotinas diárias. 

As ideias de repetição e de memória são, para Edvardsen, formas de olhar para o passado e o futuro. Para a artista, a repetição e a recordação são o mesmo exercício, mas em direções opostas, no sentido que o ato de recordar é também uma forma de repetição de uma ação passada. Essa economia cíclica dá origem a uma espécie de entropia que Edvardsen chama de "não-conceito": a repetição de um padrão que nunca é o mesmo, mas é familiar o suficiente para ser reconhecível. Time has fallen asleep in the afternoon Sunshine [O tempo adormeceu sob o sol da tarde] é um trabalho que se baseia no exercício da repetição e da memória, no qual um grupo de performers escolhe uma série de livros com os quais cada um deles tem certa afinidade. Ao mesmo tempo que os leem, eles os decoram, para poder depois recitá-los de memória para os visitantes da exposição. Ao repetir de memória o conteúdo do livro, cada performer se torna a própria publicação. A ideia de uma biblioteca de "livros vivos" foi inspirada pelo célebre romance de Ray Bradbury, Fahrenheit 451, no qual o autor imagina uma sociedade em que qualquer indício de conhecimento é considerado uma ameaça à felicidade do ser humano e os livros são proibidos e queimados (o título se refere à temperatura na qual os livros queimam) enquanto um grupo luta clandestinamente contra essa repressão, memorizando livros e transmitindo-os oralmente para preservá-los. 



Apoio: Nordic Culture Fund, Office for Contemporary Art Norway (OCA) e Performing Arts Hub Norway

  1. Caroline A. Jones, Eyesight Alone: Clement Greenberg’s Modernism and the Bureaucratization of the Senses (Chicago: University of Chicago Press, 2005).
  2. Greenberg’s Modernism and the Bureaucratization of the Senses (Chicago: University of Chicago Press, 2005).
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