Dirk Braeckman

Dirk Braeckman, <i>Dear deer , It’s been</i> [Caro cervo, tem sido], 2019. Cortesia do  artista, Zeno X Gallery, Antwerp & Galerie Thomas Fischer, Berlim
Dirk Braeckman, Dear deer , It’s been [Caro cervo, tem sido], 2019. Cortesia do artista, Zeno X Gallery, Antwerp & Galerie Thomas Fischer, Berlim
Dirk Braeckman, <i>Dear deer , It’s been</i>  [Caro cervo, tem sido], 2019. Cortesia do artista, Zeno X Gallery, Antwerp & Galerie Thomas Fischer, Berlim
Dirk Braeckman, Dear deer , It’s been [Caro cervo, tem sido], 2019. Cortesia do artista, Zeno X Gallery, Antwerp & Galerie Thomas Fischer, Berlim

O fotógrafo Dirk Braeckman (1958, Eeklo, Bélgica) se considera mais um criador de imagens que um contador de histórias. Quando estudante na Academia de Belas Artes de Gante, Bélgica, Braeckman interessou-se pela pintura, e embora mais tarde tenha se direcionado para a fotografia, pode-se dizer que esse início artístico influenciou o modo como ele lidaria com o processo de criação de imagens. Sua prática é principalmente analógica, mas recentemente ele também experimentou a fotografia digital e o vídeo. Muitas vezes Braeckman dedica-se a refotografar imagens existentes – feitas por ele mesmo ou disponíveis na mídia – e investe grande parte de seu trabalho artístico na sala escura, onde revela e manipula os negativos, em um processo físico que deixa marcas visíveis no resultado final da obra. Embora o artista possa usar o mesmo negativo como tema ou ponto de partida para diversas impressões diferentes, cada impressão é única na medida em que carrega vestígios de sua passagem pela pelo processo de revelação e ampliação, do gesto e da manipulação, reforçando assim a analogia do modus operandi de Braeckman com o de um pintor.

Do ponto de vista iconográfico, isto é, de definir o que é que cada imagem retrata, as fotografias de Braeckmann também podem ser consideradas ambíguas. Os sujeitos com frequência emergem do escuro, desfocados, dificilmente reconhecíveis. Sejam retratos, autorretratos, nus ou interiores, é difícil definir seus contornos. Um detalhe arquitetônico e um retoque por parte do artista se mesclam e se tornam inseparáveis: tema e processo são uma coisa só. O artista parece querer neutralizar tudo o que retrata, de tal modo que ele não estabelece nenhuma narrativa: mais do que contar uma história, seu principal objetivo é criar um documento que transmita um estado de espírito. Por outro lado, essa vagueza ontológica é também uma declaração de liberdade: o espectador é também o autor, aquele que cria a história que as imagens, talvez, estejam sugerindo



  1. Caroline A. Jones, Eyesight Alone: Clement Greenberg’s Modernism and the Bureaucratization of the Senses (Chicago: University of Chicago Press, 2005).
  2. Greenberg’s Modernism and the Bureaucratization of the Senses (Chicago: University of Chicago Press, 2005).
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