Nina Beier

Nina Beier, <i>Plug</i> [Plugue], 2018-2019. Cortesia da artista
Nina Beier, Plug [Plugue], 2018-2019. Cortesia da artista
Nina Beier, <i>The Complete Works</i>  [A obra completa] (performance Muriel Maffre), 2010. Cortesia da artista
Nina Beier, The Complete Works [A obra completa] (performance Muriel Maffre), 2010. Cortesia da artista

The Complete Works [A obra completa], de Nina Beier (1975, Aarhus, Dinamarca), é uma performance em que um/a bailarino/a aposentado/a apresenta todas as coreografias que encarnou ao longo da sua carreira, reencenando-as em ordem cronológica e sem interrupções. Um após o outro, os movimentos vão se desenhando no espaço. O mesmo corpo, muitos anos mais tarde, passa de uma posição à seguinte levado pela memória muscular, obedecendo a uma música imaginada, acompanhado na lembrança por um corpo de baile agora ausente. Nessa visita ao próprio passado, cada bailarino reconta a história da coreografia e da dança contemporânea. 

A performance se concretiza no limiar entre o espaço mental, onde cada bailarina vai buscar as recordações de sua carreira encerrada, e a manifestação visível dessas lembranças em movimentos esboçados. Cada gesto é, além de si mesmo, um eco daquele que foi. Sem as dimensões e a intencionalidade que incorporou no passado – sobre o palco, sob as luzes, junto à música –, sem o esforço total de um corpo jovem e cotidianamente treinado, sem os ensaios. É uma marcação, um apontamento, uma indicação; ao mesmo tempo a representação de um passo e um chamado, a presença mínima capaz de motivar a memória do corpo e trazer à tona os momentos seguintes, que aparecem como encadeados.

Essa existência que pulsa entre a representação e a coisa em si é um lugar de interesse para Nina Beier. Em muitas de suas instalações a artista faz uso de objetos que, deslocados de seu ambiente e desprovidos de sua função, são capazes de assumir novos comportamentos e evocar novas vozes, sem deixar de carregar sua aparência costumeira e os sentidos que assumiram ao longo da história dos seus usos e da economia de sua presença no mundo. Aproximando esses objetos, provenientes de diferentes culturas, carregados de diferentes histórias, novas significações são criadas. Um charuto continua sendo um charuto quando incrustado numa pia de porcelana, mas qual é a conversa que se estabelece nesse encontro entre as folhas de tabaco, trabalhadas pelas mãos, para o deleite dos fumantes, e a assepsia impermeável da louça sanitária?





Apoio: Nordic Culture Fund, ifa (Institut für Auslandsbeziehungen) e Danish Arts Foundation



  1. Caroline A. Jones, Eyesight Alone: Clement Greenberg’s Modernism and the Bureaucratization of the Senses (Chicago: University of Chicago Press, 2005).
  2. Greenberg’s Modernism and the Bureaucratization of the Senses (Chicago: University of Chicago Press, 2005).
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