Jaune Quick-to-See Smith

Jaune Quick-to-see Smith, <i>Echo</i>, 2000. Coleção Garth Greenan Gallery. Cortesia da artista e Garth Greenan Gallery, Nova York
Jaune Quick-to-see Smith, Echo, 2000. Coleção Garth Greenan Gallery. Cortesia da artista e Garth Greenan Gallery, Nova York

Nascida na Missão Indígena de St. Ignatius, Jaune Quick-to-See Smith (Reserva Flathead Montana, EUA, 1940) é membro da Confederated Salish and Kootenai Indian Nation. Cresceu em constante deslocamento ao acompanhar seu pai, que viajava trabalhando como treinador de cavalos. Seu estudo formal como artista foi longo e descontínuo, sendo constantemente interrompido por necessidades financeiras ou por preconceitos de classe, raça e gênero. No final da década de 1970, sua obra conquistou espaço justamente por confrontar os padrões eurocêntricos e formalistas do circuito oficial da arte e, desde 1980, sua prática artística tem sido entremeada por atuações como curadora, educadora e articuladora cultural, em um esforço de grande impacto na luta por reconhecimento da arte indígena americana.

Quick-to-See Smith adentrou o campo da pintura moderna e os debates sobre cultura e linguagem fomentados pela arte pop e subverteu o modo enunciativo desse repertório ao empregá-lo como catalizador dos cortes e relações entre, por um lado, culturas e saberes indígenas e, por outro, o modelo de consumo e silenciamento das diferenças impregnado na sociedade norte-americana. Ora próxima da colagem, ora do palimpsesto, sua pintura promove sobreposições de sistemas de representação e modos de compreender o mundo, provocando choques que podem ter efeito crítico, irônico ou enigmático. Muitas vezes, a leitura imediata de um símbolo ou de uma frase empregada por Quick-to-See é desafiada pelo modo como ela é recoberta por camadas de tinta ou como se combina com elementos associados a outras simbologias e discursos.

  1. Caroline A. Jones, Eyesight Alone: Clement Greenberg’s Modernism and the Bureaucratization of the Senses (Chicago: University of Chicago Press, 2005).
  2. Greenberg’s Modernism and the Bureaucratization of the Senses (Chicago: University of Chicago Press, 2005).
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