Zina Saro-Wiwa

Zina Saro-Wiwa, <i>Invisible Boy: The Gift</i>, 2019. Cortesia de Zina Saro-Wiwa e Tiwani Contemporary
Zina Saro-Wiwa, Invisible Boy: The Gift, 2019. Cortesia de Zina Saro-Wiwa e Tiwani Contemporary
Zina Saro-Wiwa, <i>Invisible Boy: Emergent</i>, 2019. Cortesia de Zina Saro-Wiwa e Tiwani Contemporary
Zina Saro-Wiwa, Invisible Boy: Emergent, 2019. Cortesia de Zina Saro-Wiwa e Tiwani Contemporary
Fotografia da instalação <i>Table Manners</i> (Seasons 1 & 2) no The Fowler Museum, Los Angeles (USA), na exposição <i>Inheritance: New Video Art from Africa</i>, 2019.  © The Fowler Museum. Cortesia de Zina Saro-Wiwa e Tiwani Contemporary
Fotografia da instalação Table Manners (Seasons 1 & 2) no The Fowler Museum, Los Angeles (USA), na exposição Inheritance: New Video Art from Africa, 2019. © The Fowler Museum. Cortesia de Zina Saro-Wiwa e Tiwani Contemporary
Zina Saro-Wiwa, <i>Mourning Class: Nollywood</i>, 2010. Instalação no The Pulitzer Foundation. Cortesia de Zina Saro-Wiwa e Tiwani Contemporary
Zina Saro-Wiwa, Mourning Class: Nollywood, 2010. Instalação no The Pulitzer Foundation. Cortesia de Zina Saro-Wiwa e Tiwani Contemporary
Zina Saro-Wiwa, <i>Sarogua Mourning</i>, 2012. Still de vídeo. Cortesia de Zina Saro-Wiwa e Tiwani Contemporary
Zina Saro-Wiwa, Sarogua Mourning, 2012. Still de vídeo. Cortesia de Zina Saro-Wiwa e Tiwani Contemporary
Zina Saro-Wiwa, <i>Holy Star Boyz: We Don’ Tire</i>, 2018. Cortesia de Zina Saro-Wiwa e Tiwani Contemporary
Zina Saro-Wiwa, Holy Star Boyz: We Don’ Tire, 2018. Cortesia de Zina Saro-Wiwa e Tiwani Contemporary
Zina Saro-Wiwa, <i>Table Manners (Season 2): Precious Eats Boli & Fish with Oil Bean</i>, 2019. Cortesia de Zina Saro-Wiwa e Tiwani Contemporary
Zina Saro-Wiwa, Table Manners (Season 2): Precious Eats Boli & Fish with Oil Bean, 2019. Cortesia de Zina Saro-Wiwa e Tiwani Contemporary
Zina Saro-Wiwa, <i>Phyllis: I Am Not Alone</i>, 2010. Cortesia de Zina Saro-Wiwa e Tiwani Contemporary
Zina Saro-Wiwa, Phyllis: I Am Not Alone, 2010. Cortesia de Zina Saro-Wiwa e Tiwani Contemporary
Zina Saro-Wiwa, <i>Tortoise Ontologies: 8th Position</i>, 2015. Cortesia de Zina Saro-Wiwa e Tiwani Contemporary
Zina Saro-Wiwa, Tortoise Ontologies: 8th Position, 2015. Cortesia de Zina Saro-Wiwa e Tiwani Contemporary
Zina Saro-Wiwa, <i>Tortoise Ontologies: 3rd Position</i>, 2015. Cortesia de Zina Saro-Wiwa e Tiwani Contemporary
Zina Saro-Wiwa, Tortoise Ontologies: 3rd Position, 2015. Cortesia de Zina Saro-Wiwa e Tiwani Contemporary

O trabalho de Zina Saro-Wiwa (1976, Port Harcourt, Nigéria) expande o modo como entendemos as questões ambientais e as relações interculturais. A artista cresceu no Reino Unido, onde trabalhou como jornalista até se mudar para Nova York. Lá, buscando formas de contar histórias mais livres e indefinidas do que no jornalismo, iniciou seu trabalho artístico. Paralelamente, ela começou a atuar na região do Delta do Níger, na Nigéria, onde fundou em 2014 a galeria Boys’ Quarters Project Space. Hoje residente na Califórnia, a artista tem uma prática centrada na produção de vídeos, mas que abrange também curadorias e trabalhos com fotografia, escultura, som e comida. Ela define sua produção como um “mapeamento de paisagens emocionais”, que envolve desde suas experiências pessoais até a análise de variáveis históricas e conceituais, resultando em obras com narrativas condensadas, permeáveis a modos de conhecimento não-verbais, que extrapolam as convenções do discurso acadêmico.  

No vídeo Phyllis (2010), por exemplo, Saro-Wiwa mobiliza as modalidades de produção de Nollywood (apelido da indústria cinematográfica nigeriana) para construir a história de uma personagem que é obcecada pelos filmes dessa indústria. A justaposição da solidão da personagem com as convenções de gênero e emotividade que a afetam provoca um curto-circuito psicológico, que se expressa por meio de simbolismos, gestos e fantasias. Já em Worrying the Mask [Temendo a máscara] (2020), a artista apresenta uma aula-performance em forma de vídeo, usando sua exposição de obras de Promise Lagiri – um escultor Ogoni que produz máscaras e estatuetas contemporâneas – no Boys' Quarters Project Space como ponto de partida para uma reflexão sobre as disputas de poder subjacentes aos critérios de autenticidade, valor e identidade da arte africana. Ao mesmo tempo em que situa a urgência desse debate no contexto das recentes campanhas de restituição de obras africanas para o continente, Saro-Wiwa procura se manter conectada a poderes e sentidos ligados à origem desses objetos, usualmente expurgados pela narrativa ocidental que os cataloga e expõe. Se as narrativas hegemônicas identificam a arte do continente com “pureza” e “ingenuidade”, inferindo valores em obras que são “antigas” e “anônimas”, relegando assim a produção contemporânea a um limbo, para Saro-Wiwa é fundamental produzir narrativas comprometidas em reconhecer as intenções e agências de seus autores, sejam eles ancestrais ou contemporâneos. E também libertar os poderes narrativos dos objetos.



  1. Caroline A. Jones, Eyesight Alone: Clement Greenberg’s Modernism and the Bureaucratization of the Senses (Chicago: University of Chicago Press, 2005).
  2. Greenberg’s Modernism and the Bureaucratization of the Senses (Chicago: University of Chicago Press, 2005).
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