Abel Rodríguez

Abel Rodríguez, <i>SinTítulo</i>, 2020. Cortesia do artista e Instituto de Visión
Abel Rodríguez, SinTítulo, 2020. Cortesia do artista e Instituto de Visión
Abel Rodríguez, <i>Terraza Vaja V</i>, 2020. Cortesia do artista
Abel Rodríguez, Terraza Vaja V, 2020. Cortesia do artista

Abel Rodríguez (1944, Cahuinarí, Colômbia), ou don Abel, como é conhecido, é um sabedor Nonuya, nascido na Amazônia colombiana e treinado desde a infância para ser um “nomeador de plantas”, isto é, um depositário do conhecimento da comunidade sobre as diversas espécies botânicas da floresta, seus usos práticos e sua importância ritual. Após passar a maior parte da vida na floresta, don Abel (cujo nome Nonuya é Mogaje Guihu, isto é, “pluma de gavião brilhante”) mudou-se para Bogotá no início dos anos 2000, e só então começou, sem nunca ter tido uma educação formal nesse sentido, a desenhar a floresta, de memória. Seus desenhos não podem ser considerados apenas “obras de arte” no sentido corrente dessa definição na cultura ocidental, já que operam antes de mais nada como uma linguagem, da qual don Abel se serve para preservar e transmitir seu conhecimento.

Como já foi dito, seus desenhos, mais que representar, apresentam: as árvores e as plantas são pacientemente construídas no papel, folha por folha, galho por galho, fruto por fruto. Além disso, quase nunca as plantas são apresentadas sem os animais que se nutrem de seus frutos e suas folhas, ou das plantas que nascem ao redor delas. Dessa forma, a maioria das obras de don Abel constitui um retrato fiel, preciso e potencialmente interminável da floresta, isto é, de um ecossistema onde cada elemento está em relação inseparável com tudo o que o rodeia. Grande parte de seus desenhos integram ciclos mais ou menos extensos, que retratam determinados ecossistemas em momentos diferentes do ano e em estágios distintos de crescimento.

  1. Caroline A. Jones, Eyesight Alone: Clement Greenberg’s Modernism and the Bureaucratization of the Senses (Chicago: University of Chicago Press, 2005).
  2. Greenberg’s Modernism and the Bureaucratization of the Senses (Chicago: University of Chicago Press, 2005).
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