Alfredo Jaar

Alfredo Jaar, <i>I Can’t Go On, I’ll Go On</i>, 2019. Cortesia do artista
Alfredo Jaar, I Can’t Go On, I’ll Go On, 2019. Cortesia do artista
Alfredo Jaar, <i>A Hundred Times Nguyen</i>, 1994. Cortesia do artista, Nova York e Galeria Luisa Strina, São Paulo
Alfredo Jaar, A Hundred Times Nguyen, 1994. Cortesia do artista, Nova York e Galeria Luisa Strina, São Paulo

Nascido em Santiago em 1956, Alfredo Jaar cresceu na Martinica até os 16 anos, quando seus pais decidiram voltar ao Chile para viver de perto a experiência socialista de Salvador Allende, que seria brutalmente interrompida pelo golpe militar poucos meses mais tarde. Até 1982, quando se mudaria para Nova York, Jaar permaneceu em Santiago, estudando cinema e arquitetura e iniciando sua produção artística com obras extremamente críticas ao momento vivido pelo país, como a célebre série Estudios sobre la felicidad (1979-81), trabalho ambicioso e multidisciplinar (incluía pesquisas de campo, projetos de outdoors, vídeo e fotografia), que apontava já para o interesse do artista para a produção e circulação da informação e para um engajamento com as questões políticas de seu tempo, eixos centrais em sua prática até hoje.

Ao longo das últimas décadas, Jaar vem construindo um corpus extremamente amplo e diversificado, no qual um desejo utópico “de mudar o mundo”, como ele mesmo diz, perpassa e confere coerência a obras que utilizam técnicas e meios muito diferentes, frequentemente saindo do asséptico cubo branco para ocupar diretamente as ruas. Por um lado, o artista busca ser testemunha direta de episódios históricos e sociais marcantes, registrando as condições de quase escravidão dos trabalhadores das minas da Serra Pelada, os desastres humanitários em Ruanda e em Angola, ou ainda visitando campos de refugiados na Ásia. Por outro, ele relê e atualiza a lição de grandes pensadores políticos, como Antonio Gramsci e Pier Paolo Pasolini, cuja obra revisitou em vários momentos. Na tentativa de expandir e aprofundar seu conhecimento de lugares que considera emblemáticos, Jaar tem visitado recorrentemente alguns países e regiões, como Angola ou Hong Kong, para onde o artista viajou pela primeira vez em 1991, para conhecer pessoalmente as condições de vida dos refugiados vietnamitas ameaçados de repatriação. Ao longo dos anos seguintes, ele voltaria várias vezes, criando um conjunto de obras coletivamente identificadas como “The Hong Kong Project”, do qual 100 Times Nguyen, obra incluída na 34ª Bienal de São Paulo, é provavelmente a mais emblemática. Ao visitar o “centro de detenção de refugiados” de Pillar Point, o artista foi seguido por uma menina, Nguyen Thi Thuy, de quem tirou cinco fotos. A repetição massiva desse compacto conjunto de imagens ao longo de uma instalação enorme torna-se uma elegia em homenagem a Nguyen e a todos os refugiados e os condenados da terra. 





Apoio: Ministerio de Relaciones Exteriores y Ministerio de las Culturas, las Artes y el Patrimonio – Gobierno de Chile

  1. Caroline A. Jones, Eyesight Alone: Clement Greenberg’s Modernism and the Bureaucratization of the Senses (Chicago: University of Chicago Press, 2005).
  2. Greenberg’s Modernism and the Bureaucratization of the Senses (Chicago: University of Chicago Press, 2005).
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