Jaider Esbell

Jaider Esbell, <i>Malditas e Desejadas</i>, 2013. Foto: Marcio Lavor. Cortesia do Acervo da Galeria Jaider Esbell de Arte Indígena Contemporânea
Jaider Esbell, Malditas e Desejadas, 2013. Foto: Marcio Lavor. Cortesia do Acervo da Galeria Jaider Esbell de Arte Indígena Contemporânea
Jaider Esbell, <i>Carta ao velho mundo</i>, 2018/2019. Cortesia do artista
Jaider Esbell, Carta ao velho mundo, 2018/2019. Cortesia do artista
Jaider Esbell, <i>Amooko pantoni - Histórias do vovô Makunaimî</i>, 2018. Foto: Marcelo Camacho. Cortesia do artista
Jaider Esbell, Amooko pantoni - Histórias do vovô Makunaimî, 2018. Foto: Marcelo Camacho. Cortesia do artista
Vista da série
Vista da série "A guerra dos Kanaimés" de Jaider Esbell durante a mostra Vento da 34ª Bienal de São Paulo. Foto: © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo
Vista da série
Vista da série "A guerra dos Kanaimés" de Jaider Esbell durante a mostra Vento da 34ª Bienal de São Paulo. Foto: © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo
Jaider Esbell, série <i>O ataque do Kanaimé</i>, 2011. Foto: Marcelo Camacho. Cortesia do artista
Jaider Esbell, série O ataque do Kanaimé, 2011. Foto: Marcelo Camacho. Cortesia do artista
Jaider Esbell, <i>A guerra dos Kanaimés</i>, 2020. Foto: Marcelo Camacho. Comissionada pela Fundação Bienal de São Paulo para a 34ª Bienal
Jaider Esbell, A guerra dos Kanaimés, 2020. Foto: Marcelo Camacho. Comissionada pela Fundação Bienal de São Paulo para a 34ª Bienal
Jaider Esbell, <i>A guerra dos Kanaimés</i>, 2020. Foto: Marcelo Camacho. Comissionada pela Fundação Bienal de São Paulo para a 34ª Bienal
Jaider Esbell, A guerra dos Kanaimés, 2020. Foto: Marcelo Camacho. Comissionada pela Fundação Bienal de São Paulo para a 34ª Bienal
Jaider Esbell, <i>A guerra dos Kanaimés</i>, 2020. Foto: Marcelo Camacho. Comissionada pela Fundação Bienal de São Paulo para a 34ª Bienal
Jaider Esbell, A guerra dos Kanaimés, 2020. Foto: Marcelo Camacho. Comissionada pela Fundação Bienal de São Paulo para a 34ª Bienal
Jaider Esbell, <i>A guerra dos Kanaimés</i>, 2020. Foto: Marcelo Camacho. Comissionada pela Fundação Bienal de São Paulo para a 34ª Bienal
Jaider Esbell, A guerra dos Kanaimés, 2020. Foto: Marcelo Camacho. Comissionada pela Fundação Bienal de São Paulo para a 34ª Bienal

Nascido na região hoje demarcada como a Terra Indígena Raposa Serra do Sol, Jaider Esbell (1979, Normandia, RR) é um artista e escritor macuxi. Desde 2013, quando organizou o I Encontro de Todos os Povos, Esbell assumiu um papel central no movimento de consolidação da Arte Indígena Contemporânea no contexto brasileiro, atuando de forma múltipla e interdisciplinar e combinando o papel de artista, curador, escritor, educador, ativista, promotor e catalisador cultural. Em sua primeira obra literária, Terreiro de Makunaima – mitos, lendas e estórias em vivências (2010), Esbell se identifica como neto de Macunaíma e defende a reapropriação da figura pelos indígenas, considerando que, na cultura macuxi, Makunaima é um dos “filhos do Sol”, responsável pela criação mítica de todas as plantas comestíveis existentes na mata, portanto muito diferente do herói sem nenhum caráter de Mário de Andrade.

Combinando pintura, escrita, desenho, instalação e performance, seu trabalho entrelaça mitos indígenas, críticas à cultura hegemônica e preocupações socioambientais, derivando ora para o âmbito poético, ora para o posicionamento mais claramente político e ativista. Na performance Carta dos Povos Indígenas ao Capitalismo (2019), realizada em Genebra, Esbell entregou a representantes do banco UBS uma carta em defesa do direito a uma vida digna para todos os seres que habitam o planeta. O tom profético da carta retoma a pensamento do xamã Davi Kopenawa, que profetiza que o céu vai desabar sobre nossas cabeças. Para Esbell, a natureza está nos avisando da catástrofe, e deveríamos ouvi-la mais atentamente. A performance é um gesto por justiça social e pela visibilidade dos povos da floresta.

A guerra dos Kanaimés (2020) é uma nova série de pinturas realizadas por Esbell para o contexto da 34ª Bienal. Em uma sucessão de cenas alegóricas, o artista evoca a ideia dos kanaimés – usualmente descritos como espíritos fatais, que provocam a morte de quem os encontra – e a projeta sobre os conflitos contemporâneos vividos pelo povo Macuxi e por seus parentes, constantemente atacados por ofensivas oficiais e extraoficiais que visam explorar predatoriamente suas terras. Dependendo de suas alianças, os kanaimés podem ser entendidos como protetores ou predadores. Em um contexto marcado por ameaças diretas e veladas, em que muitas vezes o que mata é apresentado como se fosse um remédio, Esbell repensa a presença concreta desses espíritos na vida e na luta do povo Macuxi.

  1. Caroline A. Jones, Eyesight Alone: Clement Greenberg’s Modernism and the Bureaucratization of the Senses (Chicago: University of Chicago Press, 2005).
  2. Greenberg’s Modernism and the Bureaucratization of the Senses (Chicago: University of Chicago Press, 2005).
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