Yuko Mohri

Yuko Mohri, <i>You Locked Me Up in a Grave, You Owe Me at Least the Peace of a Grave</i>, 2018. Foto: Kuniya Oyamada. Cortesia da artista
Yuko Mohri, You Locked Me Up in a Grave, You Owe Me at Least the Peace of a Grave, 2018. Foto: Kuniya Oyamada. Cortesia da artista
Yuko Mohri, <i>The Flipping-apparatus, Three Veils</i>, 2018. Foto: Yuki Moriya. Cortesia da artista
Yuko Mohri, The Flipping-apparatus, Three Veils, 2018. Foto: Yuki Moriya. Cortesia da artista
Yuko Mohri, <i>Parade</i>, 2011-2017. Foto: Jacqueline Trichard. Cortesia de Centre Pompidou
Yuko Mohri, Parade, 2011-2017. Foto: Jacqueline Trichard. Cortesia de Centre Pompidou

Elementos intangíveis como espaço, luz, magnetismo e gravidade são fundamentais nas assemblages e instalações de Yuko Mohri (1980, Kanagawa, Japão). Ela frequentemente utiliza elementos domésticos e cotidianos para criar objetos ou dispositivos dotados de movimento, que podem emitir sons ou luz, ou ainda gerar campos magnéticos ou de energia. O acaso e a improvisação, elementos centrais na intersecção entre as artes visuais e a música pelo menos desde John Cage, estão presentes em muitos dos trabalhos da artista, nos quais os ruídos produzidos pelo movimento dos objetos nunca são inteiramente controlados e, muito menos, previsíveis. As instalações de Mohri constituem ecossistemas autônomos e permeáveis, nos quais a artista explora o atrito e o choque entre os diversos elementos que as compõem. Muitas vezes, as idiossincrasias do local que abriga as obras também atuam como fatores determinantes para o comportamento desses conjuntos.

No trabalho Voluta (2017 - ), título que se refere à espiral da concha do caracol e também ao ornamento espiralado na parte superior de colunas arquitetônicas e no braço de certos instrumentos, Mohri cria um mecanismo no qual uma música, reproduzida em um iPod, é convertida em um sinal elétrico, que por sua vez é transmitido através de um cabo enrolado em uma bobina. Dessa forma, os sons se convertem em força magnética, usada para mover objetos metálicos através de esculturas de concreto e gesso. Embora a música esteja tocando, a única coisa que o visitante ouve é o tênue som do tremor dos objetos. Assim, campo eletromagnético, música, movimento, som e vibração misturam-se em um arranjo multidimensional.

Em I CAN'T HEAR YOU (2020) atualização de uma peça de 2017, concebida por Mohri após uma visita ao pavilhão da Bienal, dois alto-falantes criam uma espécie de corredor sonoro que o público é convidado a percorrer, até achar o lugar exato em que os dois canais de áudio se sobrepõem e tocam em uníssono. Para conseguir essa sincronização, a artista levou em conta o tempo de propagação do som na arquitetura do edifício – com isso, a peça, além de uma composição musical, pode ser lida também como um experimento sensorial de medição do espaço. 0 som emitido pelos alto-falantes é o da voz de Daisetsu Suzuki (1870-1966), estudioso do zen-budismo, introdutor do pensamento zen nos Estados Unidos e referência fundamental para John Cage, entre outros.



Apoio: Arts Council Tokyo

  1. Caroline A. Jones, Eyesight Alone: Clement Greenberg’s Modernism and the Bureaucratization of the Senses (Chicago: University of Chicago Press, 2005).
  2. Greenberg’s Modernism and the Bureaucratization of the Senses (Chicago: University of Chicago Press, 2005).
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