Trajal Harrell

Trajal Harell, <i>Caen Amour</i>, 2016. Foto: Orfeas Emirzas. Cortesia do artista
Trajal Harell, Caen Amour, 2016. Foto: Orfeas Emirzas. Cortesia do artista
Trajall Harell, <i>Untitled Still Life Collection II</i>, 2014. Foto: Jaye R. Phillips. Cortesia do artista
Trajall Harell, Untitled Still Life Collection II, 2014. Foto: Jaye R. Phillips. Cortesia do artista
Trajal Harell, <i>Judson Church is Ringing in Harlem (M2M)</i>, 2012. Foto: Ian Douglas. Cortesia do artista
Trajal Harell, Judson Church is Ringing in Harlem (M2M), 2012. Foto: Ian Douglas. Cortesia do artista
Trajal Harell, <i>Untitled Still Life Collection II</i>, 2011. Foto: Jaye R. Phillips. Cortesia do artista
Trajal Harell, Untitled Still Life Collection II, 2011. Foto: Jaye R. Phillips. Cortesia do artista

Em suas coreografias, Trajal Harrell (1973, Georgia, USA) combina referências da história da dança, principalmente da vanguarda estadounidense dos anos 1960, com elementos e movimentos procedentes de outros contextos e histórias, como o voguing, o hoochie koochie e o butô. Nesses encontros inéditos e extremamente férteis, revelam-se conexões entre campos distintos das artes performáticas, ao passo que corpos, identidades e vozes que destoam da narrativa convencional da dança contemporânea ganham visibilidade. Harrell constrói, assim, um corpus único, marcado exatamente por esse caráter híbrido e rizomático, provocando o espectador a imaginar histórias alternativas da dança.

Twenty Looks or Paris is Burning at the Judson Church [Vinte olhares ou Paris está queimando na Judson Church] (2009 - 2013), o conjunto de peças que tornou Harrell conhecido, parte de dois distintos cenários de Nova York nos anos 1960: o Judson Dance Theater, grupo que se apresentava na Judson Memorial Church, na Washington Square, e os bailes de voguing do Harlem. O Judson Dance Theater, ativo entre 1962 e 1966, reunia dançarinos, compositores e artistas visuais para experimentações que, posteriormente, culminariam na criação do que se denomina dança pós-moderna. Já no Harlem, no mesmo período, surge o voguing, uma competição de dança organizada em bailes da comunidade LGBT afro-americana, que se apropria do vocabulário da moda e de Hollywood. O ciclo de performances de Harrell surge de uma pergunta provocatória: o que aconteceria se, em 1963, alguém do voguing, do Harlem, fosse ao Greenwich Village para se apresentar na Judson Church? Ou se ocorresse o cenário contrário? Nesse improvável intercâmbio, recolocam-se e confrontam-se duas experiências de profunda ruptura com o status quo dominante à época: a dança pós-moderna, na qual as coreografias são frequentemente construídas a partir de gestos cotidianos e aparentemente banais, e o voguing, marcado por uma hiper-performatividade barroca e afirmativa de gêneros e raças orgulhosamente opostos à heteronormatividade patriarcal.

  1. Caroline A. Jones, Eyesight Alone: Clement Greenberg’s Modernism and the Bureaucratization of the Senses (Chicago: University of Chicago Press, 2005).
  2. Greenberg’s Modernism and the Bureaucratization of the Senses (Chicago: University of Chicago Press, 2005).
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