Neo Muyanga

Performance <i>A Maze in Grace</i> de Neo Muyanga com Legítima Defesa e Bianca Turner para a abertura da 34ª Bienal de São Paulo. Foto: Levi Fanan, Fundação Bienal de São Paulo
Performance A Maze in Grace de Neo Muyanga com Legítima Defesa e Bianca Turner para a abertura da 34ª Bienal de São Paulo. Foto: Levi Fanan, Fundação Bienal de São Paulo
Performance <i>A Maze in Grace</i> de Neo Muyanga com Legítima Defesa e Bianca Turner para a abertura da 34ª Bienal de São Paulo. Foto: Levi Fanan, Fundação Bienal de São Paulo
Performance A Maze in Grace de Neo Muyanga com Legítima Defesa e Bianca Turner para a abertura da 34ª Bienal de São Paulo. Foto: Levi Fanan, Fundação Bienal de São Paulo
Performance <i>A Maze in Grace</i> de Neo Muyanga com Legítima Defesa e Bianca Turner para a abertura da 34ª Bienal de São Paulo. Foto: Levi Fanan, Fundação Bienal de São Paulo
Performance A Maze in Grace de Neo Muyanga com Legítima Defesa e Bianca Turner para a abertura da 34ª Bienal de São Paulo. Foto: Levi Fanan, Fundação Bienal de São Paulo
Performance <i>A Maze in Grace</i> de Neo Muyanga com Legítima Defesa e Bianca Turner para a abertura da 34ª Bienal de São Paulo. Foto: Levi Fanan, Fundação Bienal de São Paulo
Performance A Maze in Grace de Neo Muyanga com Legítima Defesa e Bianca Turner para a abertura da 34ª Bienal de São Paulo. Foto: Levi Fanan, Fundação Bienal de São Paulo
Performance <i>A Maze in Grace</i> de Neo Muyanga com Legítima Defesa e Bianca Turner para a abertura da 34ª Bienal de São Paulo. Foto: Levi Fanan, Fundação Bienal de São Paulo
Performance A Maze in Grace de Neo Muyanga com Legítima Defesa e Bianca Turner para a abertura da 34ª Bienal de São Paulo. Foto: Levi Fanan, Fundação Bienal de São Paulo

Compositor, artista sonoro e libretista, Neo Muyanga (1974, Joanesburgo, África do Sul) produz obras que ecoam os sons de um tempo presente enraizado na violência e nutrido pela revolta. Com uma obra que perpassa a nova ópera, a improvisação em jazz e canções tradicionais Zulu e Sesotho, desenvolve uma pesquisa contínua acerca de diversas sonoridades que compõem a história da canção de protesto no contexto pan-africano e diaspórico. Recentemente, essa investigação o levou à intricada história do hino cristão “Amazing Grace” [Graça sublime], escrito pelo poeta e clérigo inglês John Newton, em 1772.

“Amazing Grace” é uma canção agregadora e afetiva, associada à música negra e a narrativas da luta abolicionista. Pouco se fala, porém, do autor dessa canção. O inglês John Newton (1725-1807) participou longamente do tráfico de africanos escravizados para as Américas, inclusive para o Brasil. Após diversas experiências de quase-morte, Newton afirmou ter passado por uma epifania divina, converteu-se em pastor anglicano e em abolicionista e compôs os versos e a música da célebre “Amazing Grace” [Graça sublime]. Essa canção, uma das mais conhecidas e executadas na história da música, principalmente por seu papel na constituição de uma identidade musical negra e nas narrativas da luta abolicionista, foi na verdade composta por um branco escravagista à procura de redenção. Diante dos paradoxos dessa história, Neo Muyanga elaborou A Maze in Grace (2020), a grande performance coletiva, realizada em colaboração com o coletivo Legítima Defesa e a artista Bianca Turner, que inaugurou a 34a Bienal em fevereiro de 2020. Posteriormente, na mostra Vento, imagens dos ensaios da performance combinadas com outras gravações e com desenhos preparatórios, partituras e documentos históricos com intervenções do artista, ampliando o alcance da subversão da canção original, da qual Muyanga reivindica a complexidade, entre crueldades e compaixões.



Apoio: British Council e Institut français à Paris

  1. Caroline A. Jones, Eyesight Alone: Clement Greenberg’s Modernism and the Bureaucratization of the Senses (Chicago: University of Chicago Press, 2005).
  2. Greenberg’s Modernism and the Bureaucratization of the Senses (Chicago: University of Chicago Press, 2005).
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